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Exercitando a Criatividade ("diz que...")

Posted by Odir Macêdo Neto on 22:50 in
Belém, 4 de julho de 2009. (independence day! ¬¬)

Vagando entre as idéias de julho, me entupindo com estudo de filosofia, sociologia e demais, me alimentando com a presença do Pai, me divertindo com as coisas que um bom programa de edição pode me proporcionar... Enfim: vivendo julho; vivendo mías vacaciones. Eis que resulta num post enchimento-de-linguiça (agora sem trema!!!).





Tchau. Vejo-te n'outro tempo, camarada!

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"Vamos ser provados..."

Posted by Odir Macêdo Neto on 20:33 in ,
Belém, 21 de junho de 2009.

Sem comentários... Só assistam. Assista.



Hasta otro tiempo, hermanos!

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Parabéns pra quem ama!

Posted by Odir Macêdo Neto on 22:41 in ,
Belém, 12 de junho de 2009.


Feliz 12 de junho a todos os casais apaixonados!

Até.

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Reflita. Só reflita. Mas não pense!

Posted by Odir Macêdo Neto on 23:21 in , , ,
Belém, 8 de junho de 2009.


A Desgraça nunca vem sozinha, e a Felicidade é besta: se manifesta com qualquer coisinha.

É só parar pra analisar. Quando acontece algo de ruim, instantaneamente mais coisas ruins aparecem. E isso é uma verdade? Não. É que nós somos tentados a olhar sempre para o que não presta, para o que estraga o nosso dia, para o que nos faz mal.

Então mudo a frase: não é que ela [a Desgraça] venha sempre acompanhada, mas é que nós nunca chamamos ela sozinha; sempre queremos MAAAIS.

A Felicidade é besta também. É só parar para analisar: trata de encher essa geladeira pra tu "vê" se o povo não vai "ficá" todo contente! Não é bem a felicidade, é mais uma alegriazinha. Mas que ela aparece por motivos bem bestinhas, ela aparece. Isso deve acontecer para compensar o fato de a Desgraça nunca vir sozinha. Afinal, pense só: A Desgraçada vem acompanhada, mas é só aparecer a Felicidadezona Monstra e pronto, tudo fica bem. =)

É. Trate de encher a geladeira: logo, logo, tudo vai melhorar. =D

Foi só um tempo pra falar qualquer coisa. Enjoy!

Hasta la vista! Hasta otro tempo! E tá triste: encha a geladeira! Senão, bote a cabeça pra dentro dela e espere o ponto hipotermia. Até.

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Um tempo

Posted by Odir Macêdo Neto on 20:57 in
Belém, 24 de maio de 2009

Oi, pessoas.

Só pra constar: esse é um tempo que eu gosto muito: estar com os amigos: Luna, Ceiça, Denisson, Brígida, Thamys.

Vemo-nos em outro tempo.
Abraços.

P.S.: Feliz Aniversário, Luna Araújo.
P.P.S.: Festa daquele jeito... pra nunca mais! (Brincadeira. Faria tudo de novo.)

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As 27 Dicas

Posted by Odir Macêdo Neto on 00:56 in
Belém, 20 de maio de 2009.

Oi, povo!

Estou extremamente atarefado nos últimos dias com os estudos e preparando um mega-post pra cá. Mas, como é deveras cruel abandonar um blog ao relento, à poeira e à falta de acessos, inclusive meus, encontrei um texto mui interessante no blog Crente & Nerd, e achei que valia a pena transferi-lo a cá. Vale a pena dar uma acessada lá, também. Esse eu recomendo. Deixando o lero-lero de lado, vamos ao texto.

- 27 dicas para escrever bem -

1. Vc. deve evitar abrev., etc.
2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. “não esqueça das maiúsculas”, como já dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiras, tá ligado?
9. Palavras de baixo calão podem transformar seu texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: “Quem cita os outros não tem idéias próprias”.
13. Frases incompletas podem causar
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma idéia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Use a pontuação corretamente o ponto e a virgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P.R. nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: “mesóclises: evitá-las-ei!”
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da idéia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma idéia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza.
27. Seja incisivo e coerente, ou não.

Abraços e nos vemos em outro tempo (com o mega-post do Odir).

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Meu Conclave

Posted by Odir Macêdo Neto on 12:40 in ,
Belém, 04 de maio de 2009.

"
Conclave (do latim 'cum clave', que significa 'com chave') é a reunião em clausura muito rigorosa dos cardeais aquanto da eleição do Papa. Os cardeais permanecem incomunicáveis com o exterior até haver um Papa escolhido."

Gente, é terrível o quão grande é a duração do infinito. Mas talvez eu consiga aproximar-me disto... Estou desde o dia 30 de abril sem sair de casa, e hoje já são 4 de maio, sendo que só vou poder sentir o ar externo amanhã, 5 de maio.

Sem sustos! Não é bem uma reclusão voluntária, umas férias desejadas, uma exclusão do mundo exterior, um jejum da vida de lá fora em busca do conhecimento da vida de cá dentro, nem uma revolta com o sistema, uma greve contra o capitalismo, ou uma preguiça indescritível. São causas bem maiores do que estas.

Ao início deste ano, no início das minhas férias em Macapá, após analisar algumas importantes evidências, que não vem a calhar citá-las, exames e mais exames, e uma crise de dor insuportável, concluíram que eu tinha um problema com cálculos renais (dois, para ser mais preciso). Correndo atrás do prejuízo, consultei alguns médicos, fiz alguns outros tantos exames e retornei a Belém, por motivos de força maior, com a esperança de me livrar do cálculo de forma natural e com o temor de ser acometido de mais uma crise de dor insuportável.

Eis que o pior me veio. Além de não ter expelido a pedra, com a ajuda de medicamentos e muitos goles de água, senti as dores do cálculo (do parto). De madrugada, sozinho em casa, sem ninguém pra ligar e sem coragem para fazê-lo. Na verdade, até que tinha gente pra me acudir nessa hora, mas a coragem de ligar é que faltava. Não era bem um orgulho! Mas uma vergonha em incomodar... Frescuras à parte, sofri sozinho. Nossa! Que dramalhão! Dá até vontade de pensar na possibilidade de deixar escorrer um pingo de dó através de lágrimas pelos olhos. Como já disse, frescuras à parte, foi assim.

Recuperado do susto, refiz o meu caminho em busca de ajuda médica. Depois de encontrar, fiz outros exames, corri atrás de uma papelada, esperei pela boa vontade de terceiros, fui escravo da burocracia, exercitei a minha paciência, tentei poupar as minhas unhas do meu nervosismo, e por fim...: marcamos o dia da cirurgia para retirar o cálculo.

Antes que haja gritos, para os desavisados, o procedimento é feito sem cortes ou bisturis. Chama-se ureterolitotripsia. Parece um assunto um tanto quanto complicado para se tratar em blog sem fins médicos, apesar de eu estar estudando para essa área, mas não vejo necessidade para detalhá-lo. Entretanto, como cara esclarecido e que quer ser esclarecido e que é dono de um blog com qualidade e que quer ter qualidade, busquei algumas informações através desses Google's da vida e encontrei uma boa citação:

"A ureteroscopia e a ureterolitotripsia transureteroscópica têm sido cada vez mais utilizadas, graças ao aperfeiçoamento dos ureterorrenoscópios, a partir do início da década de oitenta. De todas as ureteroscopias realizadas, 94% se dirigem ao tratamento de cálculos ureterais. O ureterorrenoscópio rígido se presta mais ao tratamento de cálculos ureterais até a altura das artérias ilíacas, enquanto o ureterorrenoscópio flexível tem mais utilidade para tratamento de cálculos localizados no ureter proximal e rim."
Fonte: Sociedade Brasileira de Urologia
in: http://www.projetodiretrizes.org.br/5_volume/40-Ureteroscopia.pdf

Quem continua sem entender nada, levanta a mão! \o/

Continuando... Fiz a tal da ureterolitotripsia transureteroscópica (hehehe, nomezin difícil!). E estou, como já disse, em um período de reclusão. Um período de repouso, o chamado pós-operatório. Tomando alguns cuidados comigo mesmo, tomando alguns medicamentos, tomando uns quantos litros de água por hora, assim tem sido esse meu período de conclave.

A estranheza disso tudo, o mais importante disso tudo, o que realmente me motiva a vir aqui postar, ou seja, o tutano desse post, é que eu tenho passado por um momento um tanto quanto perturbador em minha vida por conta disso. Perturbador porque... Já se imaginou vivendo uma semana recluso às quatro paredes da sua casa? Já se imaginou vivendo sete dias sem fazer aquilo que você habitualmente faz? Tá certo que pra isso existem as férias, mas pelo menos nas férias, você faz aquilo que gosta, ou pelo menos parte daquilo que gostaria de fazer. Então... Já se imaginou vivendo sete dias sem poder fazer aquilo que você realmente quer fazer, sem poder fazer aquilo que você tem que fazer, ou seja, as suas obrigações, e sem poder sair de casa nem para comprar um pão ali na panificadora da esquina?

Acho que deve existir gente que já fez, ou já passou por algo parecido. Então, companheiros de repouso obrigatório, acompanhem-me nas minhas idéias: o que deve passar pela cabeça de um cara que fica trancado em casa por sete dias?! Na verdade, o que deve ter passado pela cabeça de Odir Macêdo Neto?

A resposta? Nada! Exatamente isso, caros amigos. Nada! Na verdade, muita coisa, mas uso Nada como força de expressão. Afinal, quando se está em casa sem fazer nada, sem poder fazer muita coisa, e impossibilitado de fazer o que gosta, só resta pensar. E pensar quando não há opção, acaba sendo cansativo. Pensar deve ser necessidade, deve ser prazer, deve ser gostoso, deve ser um gosto, um hobbie, e não uma segunda opção. Se bem que nos dias atuais, com tanta coisa pra fazer, pensar acaba se tornando a sétima opção. Ou nona. Melhor..., a décima segunda. Não creio, acho que lá pra vigésima sexta depois de repetir umas sete vezes a vigésima quinta. Enfim, entendem o que digo? Creio que sim... Resumindo, pensando ou não, acaba sendo nada.

Descartando um pouco os exageros, peculiares à minha forma de expressão, devo dizer que fiz até alguma coisa e que pensar nem foi assim, a única opção por falta de outras. Estudei, é, isso eu fiz. Mas, estudar, principalmente aquilo que a gente não gosta muito, é chato. Vou ser sincero, é chato demais. Tá certo que o conhecimento nunca é demais, mas quando é degustado por livre e espontânea vontade, e não quando é empurrado na marra por livre e espontânea pressão, como costumam brincar. Desprezando isso, estudei o que tinha que estudar, e fiz algumas leituras, que acho que não teria feito, senão fosse a ureterolitotripsia.

Finalizando o post, a boa notícia é que havendo ou não gripe suína, assoprando ou não os ventos em São Paulo, caindo ou não o céu em cima dos "pób'véi" da Amazônia, vindo ou não o presidente iraniano fazer uma visita ao presidente de cá, terça-feira eu me liberto das amarras desse conclave. E retomo a minha vida, estudando e estudando e me dedicando a estudar, para no final do ano celebrar com Brígida, Denisson, Ceiça, Renatinha e derivados a aprovação. E isso é uma verdade... Acabando ou não o tradicional modelo de vestibular, essa é uma verdade.

Abraços a todos os que tem o dom divino da paciência e até outro tempo.

P.S.: Eu não vivi de estudar e nem de ler e nem de pensar e nem de me entupir de comida, porque agora eu nem posso mais. Usei e abusei da internet, assisti televisão e sorvi a cultura inútil que me rodeia e que tanto nos quer bem. Para mostrar um pouco disso e divertir um pouco mais, um vídeo do 15 Minutos da MTV, com o Marcelo Adnet. Uma piadinha gostosa sobre o Calypso daqui do Pará. Divirta-se e dance!




Tchau!

Odir Macêdo Neto.

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Sim, existe. (... E novo layout)

Posted by Odir Macêdo Neto on 21:10
Belém, 27 de abril de 2009.

Sem muitas coisas para postar. Porém, comemorando o novo layout do blog, pus aqui um slideshow muito interessante, e muito lindo, diga-se de passagem, com uma mensagem muito especial.

Abraços e até outro tempo, com certeza, com muita coisa para postar.

Odir.
Albert Einstein
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A Notável "Memória do Coração"

Posted by Odir Macêdo Neto on 20:24 in
Belém, 2 de abril de 2009.

Nota-se que a chuva caiu há poucos minutos porque há grande umidade no ar; porque há poças d'água no caminho do andarilho; porque há pingos saltando das folhas para o vestido da moça que espera o ônibus na esquina; porque ecoa nos ouvidos dos transeuntes o tilintar das gotas no chão.

Nota-se que a tia-avó fez um bolo de laranja porque há o frescor do odor que representa o sabor do bolo se espalhando pela casa; porque há gente deixando de engolir em seco para lubrificar a boca, a língua, a faringe, o esôfago; porque há gente se arrumando no sofá da sala à espera de um saciar da fome danada; porque há o sorriso da tia-avó em tirar o bolo do forno, tirar o bolo da forma, aprumá-lo no prato, cortá-lo suavemente, colocar os pedaços nos pires e, junto com um suco qualquer, servi-los às visitas.

Nota-se que o menininho da rua ao lado está doente porque não se vê mais a correria na frente de casa, da casa, das casas, no quintal da vizinha, do vizinho, dos vizinhos; porque não se ouve mais a gritaria de criança brincando, menino brigando, lutando, menina jogando, planejando, e criança brincando novamente; porque as demais crianças trancafiaram-se a si mesmas próprias elas em suas casas, em seus quartos, em seus mundos, onde o luto tem vez e o respeito também.

Nota-se que se sente dor de cabeça porque se sente uma dor na cabeça; porque há um rebuliço nos miolos, um balançar na sanidade, um chacoalhar na sensatez; porque há um descansar sem estar cansado; porque há um cansaço por querer cansar; porque há uma sensibilidade ao barulhinho do alfinete que caiu de ponta, em cima do carpete de dois dedos de espessura do chão do quarto ao lado, pela parede de dois palmos de espessura, estando a dois metros de distância dela; porque há a rabujice, a ignorância, a ira sem causa, a estupidez, a imaturidade, o choro, a doença e o desespero pela Neusa.

Nota-se tanta coisa, porque há sinais que revelam, que mostram, que apresentam a forte evidência de que os subentendidos e pressupostos são realmente reais; porque há sinais que arrancam do peito a incerteza, a angústia, a dúvida, o medo; porque há dicas e pistas e indicações que levam o sagaz descobridor, não a descobrir o tesouro perdido, mas a encontrar a solução do mistério escondido, abolindo os "achismos", as suposições e teorias não comprovadas.

Nota-se muita coisa...

Mas há quem note quando está se perdendo alguma coisa? Há quem possa notar que algo está escapando entre os dedos, como a fina areia que resvala pelas brechas da firmeza e da confiança? "Pra que ser tão piegas?" Ora, porque há quem note tamanho acontecimento? Não, não se nota o perder, o processo de perda. A perda sim, é notável. Mas há quem note que está perdendo?

Não se nota que a namorada está perdendo o namorado, nem ela nota. Porque os longos meses de carinho e proximidade são um tudo perto do pânico, do medo e do susto que sofre o namorado em ver que está indo tão longe no relacionamento, como nunca estivera. Porque a mente da namorada está tão perto da realidade que não viaja para as longínquas probabilidades remotas de perder o namorado que, quer queira, quer não, são possíveis de acontecer. Porque não se espera que o macho abandone a fêmea em ato covarde e egoísta. Porque se espera, mas não se releva a probabilidade.

Não se nota que a Miss Universo do ano passado está a cada dia perdendo a sua beleza, e nem ela nota. Porque a coroa que ela sustenta resplandece sobre ela e lhe garante o glamour eterno de um ano de duração. Porque o sorriso carregado e a mãozinha delicada exibem os símbolos da Beleza Universal, e a faixa que a enlaça durante o ano de reinado carrega o título de uma Bela Mulher, e símbolos e títulos é tudo que alguém necessita para cegar e, consequentemente, não notar.

Não se nota que o rapaz sentado no banco da praça às 3h da manhã, à espera de sabe lá o que, está morrendo. Não se nota que a vida se esvai de seu corpo a cada minuto. Não se nota que a sua existência na terra se desvanece, para tomar forma na eternidade. Não se nota. Porque seus olhos estão vidrados em algum lugar, além do carro cinza estacionado do outro lado da calçada. Porque suas mãos estão agarradas às laterais da calça jeans azul e não querem se soltar; não podem. Porque sua boca está aberta já faz uns segundos desde o início do parágrafo e parece estar solta também. Porque o rapaz está imóvel. O rapaz está parado. O rapaz está morto. Não se notou que o rapaz estava morto desde o início do parágrafo porque não se nota quando está se perdendo alguma coisa.

E mesmo que alguém note, ainda que queira reparar, dificilmente, em alguns casos, pode... Em alguns tempos, quando está se perdendo alguma coisa, o aconselhável é se arrepender de não ter notado antes; talvez porque antes poderia ter tentado reverter a situação, impedir que o mal se aproximasse. Mas em alguns tempos, quando está se perdendo alguma coisa, o aconselhável, se se notar antes, é procurar ganhar tempo... Tempo para se despedir. Tempo para se conformar. Tempo para aceitar. Tempo para ver que, na pior das hipóteses, nada pode ser feito.

Nota-se que a vida tem seu rumo, que a vida tem sua trajetória, e que algumas coisas da vida são assim porque assim têm que ser. Nota-se que Deus tem sua maneira, que Deus tem sua vontade, e que algumas coisas que Deus faz são feitas assim porque assim têm que ser feitas.

Nota-se, quando se nota antes alguma coisa e por isso procura-se ganhar tempo para pensar, que resta um saldo positivo de tempo, no final das contas. E que o tempo serve para fazer notar que o que se perdeu não está tão perdido assim, mas guardado naquele lugar revestido de carpete vermelho de dois dedos de espessura, sensível ao cair de um alfinete, forte ao terremeto mais estrondoso, quente como o abraço, gostoso como o beijo; aquela parte perene e eterna e perpétua e duradoura do ser...: A notável memória do nosso coração.

Nota-se... que ela existe.

Odir Macêdo Neto.

Até.