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Salut, Passé!

Posted by Odir Macêdo Neto on 22:03
Belém, 22 de março de 2011.

Olá, Passado! Quanto tempo não posto alguma coisa no blog e logo sinto que ele não faz mais parte do meu cotidiano, mas sim, de uma realidade distante. Já fui um "blogueiro" mais assíduo no passado, já fui mais interessado em meus pensamentos, ou melhor, em registrar cada um deles. Hoje deixo passar a vontade e o tempo não me deixa livre para dar uma passada por aqui. Hoje, dia 22, o tempo não me é muito favorável, mas decidi ser teimoso e desobedecer e, por que não dizer, arcar com as consequências do futuro (medo*).

O que posso pensar em escrever hoje, realmente, é no nada. Não tenho ideias para colocar, nem um tema propício, quanto mais uma inspiração. A única coisa que me motivou a estar hoje aqui é a simples vontade de contemplar o antigo hábito de mensalmente, quase que de forma religiosa, postar um texto para alguns interessados leitores. Mas como não quero perder meu tempo, nem meu esforço em organizar as ideias e escrever, vou deixar aqui um pouco de um hábito tradicional, ultimamente, em minha vida: redigir "poemas" com as primeiras palavras e pensamentos que surgem à minha cabeça.

Se ficará bom, aceitável, legível, tolerável, admirável ou comestível, não sei. Apenas o deixarei aqui, na tentativa de dar um "Alôô" para o passado e trazê-lo para mais perto do meu presente. Blog, como te quero bem! (Risos)

Não devo ficar calado por hoje
Não devo fazer o que me pedem por hoje
Por hoje, ficarei à par das consequências
Terei noção daquilo que posso sofrer
Daquilo que posso viver
Daquilo que posso sentir
Mas por hoje renegarei todas as convenções
Renegarei todos os padrões
As regras, seus estatutos, doutrinas, leis e opiniões
E por hoje farei a revolução particular
A reviravolta interior
E não me curvarei àquilo que me prende ou me sufoca
Falarei daquilo que penso e daquilo que me toca
Rimarei pobre, cantarei falsetes, farei passos de fácil execução
Não impressionarei, não tirarei o ar dos mais exigentes
Mas farei o que estiver ao meu alcance
Falarei daquilo que meus ouvidos gostam de ouvir
Cantarei aquilo que meu corpo gosta de dançar
Conversarei com gente que me agrada
Sonharei com aqueles que amo
E farei somente aquilo que agrada o meu interior!, a minha alma!, o meu corpo! e minha mente!
Por hoje, sabendo de tudo e de todos
Entendendo os prós e os contras
Virarei as costas para o que me ofende
Desconsiderarei o que me assusta
E viverei, intensamente
Nem que seja, só por hoje.

Até outro tempo disponível. Boa noite!

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Ééé... feliz ano nooovo e só!

Posted by Odir Macêdo Neto on 15:41
Macapá, 5 de janeiro de 2011.

Feliz ano novo a todos, muita paz, prosperidade, amor, etc, etc, etc... Sem muito tempo para me prolongar aqui no blog. Volto de "férias" dia 20 de janeiro e por lá devo estar postando algo de mais construtivo, se é que já postei algo do gênero por aqui. (Aaaah, vá lááá... eu já postei siiiim!)

Até lá, bons tempos a todos e 'té mais.

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A pobreza é para todos!

Posted by Odir Macêdo Neto on 13:51
Belém, 6 de novembro de 2010.

Hoje vou concordar com o ditado que diz que "uma imagem vale mais que mil palavras"; mas só por hoje.


Certamente..., ela é para todos.

Créditos da foto à Cidon, ou melhor, à conhecida da Cidon. Nous ne parlons pas français, ainda!

Até algum outro tempo, de alguma outra foto, quem sabe.

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Há tempos de fúria

Posted by Odir Macêdo Neto on 17:27 in , , ,
Belém, 23 de outubro de 2010.

Há tempos de fúria dentro de mim. Há tempos de raiva, de descontentamento com o universo, de inexplicável revolta, de infantil instabilidade da mentalidade que nos conduzem a estupidez e ao extremo dos sentimentos inúteis. Inúteis aqui eu falo por só fazerem o mal, mas são válidos, uma vez sentidos. Saindo um pouco da discussão da inutilidade do sentimento, voltemos ao motivo que está me guiando à questão que nos torna a mais humana das criaturas: a fúria e a susceptibilidade da nossa carne em senti-la, e a fragilidade da nossa alma em sofrer com ela.

Lembrando ao que ler que o conteúdo do post não condiz com o estado de espírito do escritor, mas com o momento de espírito do que está escrevendo.

Eu consigo sentir dentro de mim uma vontade de me negar a fazer tudo aquilo que me falam para fazer. Eu sinto o desejo de uma vez ou outra, chegando à frequência do sempre, poder correr atrás daquilo que eu quero, poder viver aquilo que eu prezo, poder não fazer aquilo que eu quero por opção minha e não porque me podaram as capacidades. O desejo de quebrar convenções, paradigmas, dogmas e conceitos... Bem, isso é clichê, e dizer que alguma coisa é clichê é o ápice dos clichês... O que quero dizer é que não estou interessado em fazer uma revolução. Não estou interessado em passar por cima dos limites do Estado, das Leis e da Ética e revolucionar a ética, as leis, o estado ou meu próprio mundo. Aqui quem fala não é um revolucionário, aqui quem fala não é um revoltado. Estou falando em simplesmente poder um dia colocar minhas pernas pro ar, ou então de pé mesmo jogar minhas mãos para o céu, agradecer se acaso eu tiver alguém que eu gostaria que estivesse sempre comigo e pedir para ela que "Hoje, só hoje, me deixa ficar um pouco só..." Não é falta de consideração, não é a importância dela que está em baixa, mas é um egoísmo necessário que pede para eu ter um tempo só para mim.

A fúria nasce, cresce, cria suas raízes quando vejo que estou amarrado à impossibilidade de conseguir aquilo que quero, nem que seja por um dia. E vejo que a cada dia que passa, menos livre para ter um dia desses serei, e mais atarefado, mais comprometido, mas resposável por algo ou por alguém serei, ao ponto de estar definitivamente colabado àquilo que me assusta: o fato de que existem tempos em que não somos donos do nosso próprio nariz.

É triste dizer, é triste ver isso acontecer, mas o fato é que quando me dou conta de que estou preso à isso, tenho que me inundar de momentos de fúria.

Obrigado. Até outro tempo.

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Antes que termine

Posted by Odir Macêdo Neto on 22:42
Belém, 30 de setembro de 2010.

Antes que o último suspiro de setembro seja produzido pelo corpo cansado e moído desse mês cansativo e "moitivo", é sempre bom deixar aqui algumas palavras, antes que termine o mês. Também é bom deixar as primeiras e últimas palavras antes do fim de semana que se aproxima. No caso, antes que comece a Festa da Democracia no Brasil.

É sempre comum ouvirmos alguém dizer por aí uma frase que, querendo ou não, é uma boa desculpa para terminar uma conversa, mas também muito ignorante, vamos combinar. Diz assim:

"Política, religião e futebol: não se discute!"

A frase, deve-se concordar, é do maior mau gosto. E da maior burrice também. Primeiro, porque muita coisa fica estagnada e parada na nossa política porque o povo prefere fechar a matraca que, sim, incomodaria muita gente se fosse uma vez aberta - como já foi em outros tempos. Segundo, porque algo tão importante e essencial na vida do ser humano, como a religião, é simplesmente negado e jogado às traças do tradicionalismo e da falta de senso crítico. Terceiro, porque deixar de falar de política, deixar de falar de religião, até aí, dá pra passar... Mas se até futebol que é o assunto mais falado no país e que, simplesmente, é a marca da nossa nação, por mais sem futuro que seja ficar discutindo sobre ele; se até do futebol o cidadão não quer falar... Então, tá complicado! 

Meu irmão, minha irmã... Pelo menos de futebol, você deve conversar de vez em quando. A questão é que as pessoas têm medo de falar de assuntos que sejam um pouquinho mais sérios! Eu não sei exatamente de onde vem esse temor. Um trauma, alguma tipo de confronto psicológico no passado de nossos pais e avós, alguma coisa do tipo, parece querer nos perseguir. As lembranças daqueles que um dia quiseram indagar a religião e foram calados, as imagens daqueles que um dia resolveram andar contra os rumos dos governos e foram torturados, as cenas daqueles que quiseram ter uma discussão civilizada com os irmãos do outro time e foram massacrados; essas memórias certamente afrontam as pessoas desse país. SÓ PODE!

Existe e sempre vai existir os que estarão com medo de falar e os que vão querer meter medo para que outros não falem. Esse discurso não vale nada. Essa é a verdade. A discussão, e quando eu falo em discussão eu não falo de vale-tudo, dedada no olho, puxão de cabelo, gravata, coronhada, beliscão no mamilo, essas coisas brutas e que no final são até engraçadas... A discussão, a conversa, o diálogo, a troca de ideias - esse sinônimo é ótimo - sempre valem a pena. É nesse rumo, pelo menos deve ser, que o Brasil, o Pará, o Amapá, o Ceará, o Rio Grande do Norte, Goiás, Mato Grosso do Sul, o Paraná, o Rio de Janeiro, o Espírito Santo, os estados que compõem a federação, serão, verdadeiramente, beneficiados e agraciados com a justiça e com a incorruptibilidade de nossos políticos.

Tá, tá... É um sonho... Mas vamos lá, vamos sonhar enquanto não temos imposto para pagar por sonho.

Domingo é o dia da grande festa. Não temos muito tempo para dialogar, discutir, conversar entre si. Mas façamos isso com nós mesmos. Refletir, não faz mau. Agir, no domingo, também não.

Eu já tenho minha reflexão. Eu posso até dizer para vocês que não vai ser agora, mas deixa para próxima. Se o Lula não inventar a candidatura de novo!


Fikdik (esse apelo não é o mais bonitinho, mas o que vale é a intenção).

Até outro tempo, cidadão.

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"Mas tudo passa, tudo..."

Posted by Odir Macêdo Neto on 01:54
Belém, 3 de agosto de 2010.

Sim, "tudo passará". Acredite; essa é uma das grandes verdades da vida. Já dizia uma sábia e estudiosa VJ da MTV, a qual prefiro não mencionar o nome por questões éticas: "Tudo passa, até uva passa". Eu sei, eu sei... Idiota, mas vamos relevar. Até a nossa raiva passa depois de um tempo de auto-análise. Até a nossa mente muda depois de umas doses de "Simancoll" - mandei uma caixa do medicamento para a dita VJ. 

Mudança significa passagem. E o que tem passagem, passa. As coisas passam pela nossa vida, as situações difíceis passam, os bons momentos passam voando, as lembranças passam pela nossa cabeça; o filme de nossas vidas, dizem, passa diante de nossos olhos quando passamos do lado da morte et cetera. Voltando a falar em mudanças... Até essas passam. Acredite, elas passarão. Ou você achou que aquela sua recalchutada ia passar isenta às nossas observações...?


O aluno estudioso passa de ano, o vadio não passa de primeira, mas se for de escola particular dá-se um jeito e logo ele passa; o aluno aplicado passa a madrugada estudando para a prova de daqui a duas semanas, o aluno esperto passa o olho na prova do aluno aplicado; o professor passa o famoso "visto" nos exercícios da aluna dedicada e passa a mão na bunda da aluninha danadinha. Já disse, tudo passa.

A dona de casa passa o dia cozinhando, o homem da casa passa o dia trabalhando, a dona de casa passa o dia cuidando da casa, o homem da casa passa o dia pensando em passar o rodo na dona de casa - ou não - e, enquanto isso, a mesma dona de casa passa a mão na cabeça do filho que passou o dia inteiro dormindo ao invés de estar pensando em com o que vai passar o resto da vida quando os dias de seus pais passarem desses para melhores.

Os dias passam, sabia? Os anos passam, e alguns poucos, eu devo admitir, param - para alguns, afinal de contas, um dia a morte passa. Há quem pare no tempo, há quem viva de coisa velha, aqueles que o povo gosta de falar "parece museu, vive de velharia", mas o tempo não pára para eles. Há quem viva passando o seu tempo falando porcaria, há quem viva brincando de passa-tempos para ver o tempo passar e não sentem o movimento das horas. Há quem torça para o tempo passar mais devagar, mas ele teima em apressar o passo. Há quem goste, quem desgoste, mas nada impede a passagem do tempo.


O que era belo, um dia vai passar também. Só que vai passar do belo, para o menos belo - pelo menos. A beleza, o vigor, a vivacidade, a energia - nessa hora vamos deixar os conceitos físicos para o físicos conceituados - passam. Uma hora, vamos ter que encarar que não somos mais os mesmos, que nossa aparência mudou, não caminhamos do mesmo jeito, não escutamos da mesma forma e nosso reflexo no espelho é diferente, até porque a nossa visão ficou meio destorcida - longa vida aos óculos.


Nossa opinião passa da direita para a esquerda e vice-versa. Nossa opinião passa desapercebida, nossas ideias passam por aí como se fossem passageiras, quando na verdade poderiam ter sido, verdadeiramente, visionárias. Nossa credibilidade passa, porque somos passivos a certos erros que podem nos crucificar eternamente. Nossa dignidade pode até permanecer, mas é difícil deixar de passar horas pensando nela; os moralistas que o digam. Nossa tristeza passa, nosso luto passa; pode ficar, mas passa. Nossa alegria é passageira, enquanto que nossa felicidade passa a vida inteira nos procurando e passamos a passar do ladinho dela e nem...

É... Passou.

Bom agosto a todos e até outro tempo.

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Ainda um cheiro de descanso no ar...

Posted by Odir Macêdo Neto on 23:31 in , ,
Macapá, 28 de julho de 2010.

Isso porque disse que eu ia postar mais vezes nesse mês. Mas se forem analisar o número de vezes que tenho postado por mês, ter dois posts em julho cumpre com a "promessa" que fiz. A questão é que nem sempre tenho o controle da minha vontade de escrever e não faço grandes esforços sobre minha cabeça para criar textos na hora que devo, no dia que me é obrigado. Durante o tempo de férias em Fortaleza, era muito mais agradável para mim escolher o sol, o mar e a praia para viver do que a tela do computador e um blog para cuidar. Agora que cheguei em Macapá, já curtindo a família e a terrinha, pensei  que teria mais tempo para mais coisas cá no blog, mas peguei uma gripe logo nos primeiros dias que, pelo amor de Deus, me deixaram de cama, com o corpo mole e cabeça doendo. Que situação.

Já estou me recuperando da surra que o vírus me deu, e algumas ideias para transformar em texto também têm surgido. Sem contar o tempo que aqui em Macapá passa devagar durante um dia e veloz durante a semana. Nessa brincadeira, hoje dei por mim que tenho só mais dois dias para estar ao lado da família e amigos para depois voltar a vidinha em Belém. Deu para aproveitar o tempo que estive aqui, não para fazer e ver tudo o que queria ou planejava, mas estou satisfeito com o que consegui. Abraçar pai, abraçar mãe, deitar no colo de mãe, receber carinho de mãe, de vó, reencontrar tio, tia, primo, prima, estar com amigos e até acompanhar minha tia nos hospitais. Bem interessante.

Agora, o que colocar aqui no blog hoje que é o negócio... Tenho umas fotos interessantes que bati em Fortaleza num dia de sol em que fomos à praia - seeeeempre -, junto com alguns cliques de autoria de minha prima, Larissa. Acho que vem a calhar como uma espécie de despedida do verão bem curtido desse ano. E também ajuda a preencher o espaço. A inspiração falha hoje, viu! Vamos às fotos:

Nunca pensei que diria isso, mas sim... Post mais para encher página, do que para outra coisa. Fazer o que... Estamos de férias!

Grande abraço e até outro tempo mais disposto. Por enquanto, prefiro evitar a fadiga.

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Agora Inês já é morta!

Posted by Odir Macêdo Neto on 18:40
Fortaleza, 2 de julho de 2010.
 

É, meu povo. Agora Inês já é morta. Já foi, já deu o que tinha que dar. Brasil perdeu, estamos fora e longe do nosso título de hexacampeão. Já choramos as pitangas e sobre o leite derramado, acabou. Danou-se. Fazer o que agora? Bom, para quem pode, vá curtir sua vida, vá viver sua história, entregue-se às suas férias e vá ler um livro. Para os menos favorecidos, que a vida teima em cagar todos os detalhes, lembre-se daquela sua conta para pagar, daquele seu parente enfermo, daquela goteira, daquele móvel quebrado, daquele amigo com problemas, dos seus problemas. 

O circo fechou, o pão acabou. Eu sei que esse discurso é bem démodé, clichê valendo, discursinho de baixo custo, mas veio a calhar no post, sem contar que produziu um efeito bem interessante no texto. Enfim, o que estou querendo dizer é que... Não é que a esperança tenha acabado, pelo amor de Deus, não falem isso. Não é que a vida se envolveu em trevas e é hora de morrer. Não façamos da derrota da nossa Seleção, ou de uma derrota em nossas vidas o decreto do carrasco, encaminhando-nos à guilhotina. Mas é isso aí, estamos fora da Copa, longe da taça; não que eu respeite a FIFA ao ponto de valorizar extremamente esse campeonato - e deixemos discussões acerca de possíveis corrupções à parte, não quero gastar meus dedos nisso -, mas muita gente no nosso país realmente contava com esse acontecimento e ansiava por sei-lá-o-quê que os fizesse mais felizes, ou menos tristes.

Repetindo: mas é isso aí. Os nosso problemas continuam, o Brasil ainda tem suas crises, ainda temos nossas contas, ainda tem sala, bar e quintal para limpar, ainda tem vestibular, prova, concurso, defesa de tese para acontecer, ainda tem criança para nascer, povo para morrer, um futuro pela frente e diante de tantas perdas, de coisas difíceis de aceitar, o melhor conforto que nos alcança o coração é saber que o sol vai nascer amanhã e temos um monte de coisas para fazer, e uma vida para viver, gente para cuidar, pessoas para amar.

Apesar da onda de teorias "Independence Day" e "O Dia Depois de Amanhã" em "2012", é bom lembrar... Até lá, não dá para ficar chorando. Até lá, Inês continua lutando por seus filhos.

Au revoir. Até outro tempo.


P.S.: Curtindo minhas merecidas férias; ao contrário de muita gente, justamente nesse mês vou tentar postar o máximo possível. Legal!

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Ensaio sobre Saramago

Posted by Odir Macêdo Neto on 11:26 in ,
Belém, 18 de junho de 2010.



Não sei se Portugal chora, se o Brasil lamenta, se a Ilha de Lanzarote, onde morava o gênio, está de luto. Talvez não fosse essa a atitude que Saramago gostaria de ver como resultado de sua morte. De repente ele preferiria que rissem à sua morte, não sei. Na verdade, sobre Saramago e companhia eu não sei muita coisa. Mas as suas obras realmente me cativaram e fizeram ter uma nova visão sobre literatura e sobre a arte de  manchar o papel. Um gênio e, ouso usar o clichê, um mestre.

Pode ser que, caso eu me converta de médico para escritor, eu cite José Saramago como uma grande influência. O que não é impossível. O único prêmio Nobel de Literatura da língua portuguesa saiu da carreira de serralheiro, mecânico, desenhista industrial e gerente de produção em uma editora para viver daquilo que pensava e escrevia. Uma inspiração. Talvez não um exemplo em sua totalidade, pelo menos para mim. Ateu confesso e comunista desde as fraldas, características levemente contrárias ao cristão e "capitalistazinho" que aqui vos escreve -  não há como negar, hoje em dia a gente respira o capital e carrega Marx no bolso, o que não garante nada.

Uma inspiração, um grande homem de ideias pra lá de profundas e que sabia usar as palavras de forma incomum. Ele reinventou meu pensamento e a minha escrita, acreditem. Queria tê-lo conhecido. Agora, fiquemos só na vontade.

Bom descanso, Saramago, e me permita continuar a usá-lo como critério para um post no blog.

Aos que permanecem cansados, até outro tempo.

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Foi bom até o fim

Posted by Odir Macêdo Neto on 00:43
Belém, 18 de maio de 2010.

Há 4 dias, notícia de morte. Meu avô, Odir Nascimento de Macêdo, o mesmo que me concedeu o nome, que me concedeu a honra de ser Odir Macêdo Neto, que me colocou como dependente legal, que me sustentou, me orientou, aconselhou, me formou - apesar de eu não mais poder vê-lo no dia de minha formatura, no dia de meu casamento, no dia do nascimento de meus filhos e tantos outros dias de felicidade, comuns à formação do ser humano -; esse, faleceu na manhã do dia 14 de maio desse ano. O sol despontava no horizonte e sua alma deixava seu corpo; o sol se punha no oeste e o seu corpo deixava nossos olhos para voltar ao barro do qual foi feito pelas mãos do nosso Pai.

O Grande Pai, Pai da eternidade, Pai de todos nós, a Ele dou graças pela vida do meu avô, pela oportunidade e privilégio de ter vivido, sorrido, curtido, chorado, amado, andado, caminhado, corrido, brincado, me divertido com meu querido avô. Por ter concedido a ele condições; condições que foram repassadas a mim para que trilhasse caminhos de sucesso; por ter concedido a mim a consciência de que é importante honrar nossos pais. E, como meu avô era mais pai do que avô, procurei honrá-lo. Acho que consegui.

Obrigado, meu Pai, pela vida que conheci, vi, aprendi, admirei, me encantei e amei.

Novos tempos virão. Não sei se vão ser fáceis. Mas Deus é conosco. Amém. Até.

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Chegamos ao fim... do bimestre

Posted by Odir Macêdo Neto on 21:22 in , , ,
Belém, 16 de abril de 2010.

¡Hola, hermanos!

Saudação de nossos hermanos muy latinos. Por que começar dessa forma tão diplomática? Well, sem nenhuma explicação sólida o suficiente para dar. Resumindo, é pura frescura, acreditem. Uma leve maneira de se começar um post por uma maneira levemente anormal - meio que uma fuga do convencional. Olha só, já temos praticamente um texto inteiro falando unicamente da saudação inicial. Deve ser por isso que meus leitores assíduos têm me trocado por Twitter's e demais maneiras opacas e secas de se colocar o que pensa. Ô, dó! Pena tenho eu... Bom, vamos ao que interessa.

Uma semana tensa se passou e agora estou procurando me deitar eternamente por um fim de semana em berço esplêndido. Já tenho dois meses de curso, um módulo do 1º ano concluído e muitas experiências. Talvez já tenha adquirido uns fios brancos na cabeleira - de acordo com a tese de que fios brancos aparecem com o estresse -; talvez já tenham me caído umas telhas da cabeleira - de acordo com a tese de que calvície é sinônimo de estresse.

Foram dias tensos - acho que já disse isso -, foram dias bons - isso, certamente ainda não falei -, semanas desesperadoras, momentos de imensa felicidade - sim, ainda estou curtindo as glórias de ter passado no curso que queria, mas ainda tenho mais por que me alegrar -, novidades, surpresas, até lágrimas sobre o chão seco do meu coração - eita, agora deu é pena! Mas, como dizia César - como se ele falasse isso de dois em dois dias... -, "Vim, vi, venci" e temo em dizer que, tendo passado 2 meses dos 72 meses de curso, ainda virei, verei e vencerei - adoooro - muito coisas que tenho pela frente - agora sim, deu pra emocionar, não deu?


Fino a un'altra volta - vulgo, "té mais, doido!"

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Depois de tanto tempo...

Posted by Odir Macêdo Neto on 01:15 in ,
Belém, 21 de março de 2010.

Depois de tanto tempo longe, ausente, desconectado, off-line, como queiram chamar, retorno à boa casa. Tenho tido uma quantidade - às vezes - exaustiva de atividades, uma quantidade pequena de tempo, uma mente cansada e nos tempos livres preguiçosa de toda e qualquer atividade construtiva e um corpo que por milagres tem respondido aos apelos do dia-a-dia, apesar de estar secando, de umas semanas pra cá. Sim, isso tudo para justificar esse meu leve afastamento do blog.

Leve não... Um mês e uns "cad's"! Que absurdo... Mas fazer o que? O blog é bom, gosto dele, mas às vezes esse amor esfria e fico pouco interessado -  as novas atividades tem sido a grande novidade de minha vida -, mas eu juro que vou tentar não me desapegar.

Tive algumas leves - agora sim, são leves - inspirações para um post durante esses dois meses - mas também..., tanto tempo, seria quase impossível não ter... -; um post espiritual e edificante, um comentário sobre uns filmes que tive a oportunidade e a graça de assistir nesses últimos tempos, um texto sobre os indicados ao Oscar, um texto sobre os ganhadores do Oscar, um texto sobre os perdedores do Oscar - essa é uma boa ideia; são tantas injustiças nesse mundo... - etc. Mas, já me expliquei, não tive tempo nem saco - essa é a grande verdade - para me sentar e escrever um daqueles posts gostosos - pra mim são - de outros tempos.

A prova disso é que não vou falar nada muito edificante, muito menos alguma coisa relacionada ao Oscar, Globo de Ouro, Cannes, nem Grammy, nem Troféu Imprensa, nem Estandarte de Ouro. Vou me abster de uma obra-prima literária e me reduzir à umas fotos. Sim, fotos! Acredite se quiser: umas fotos que bati, tenho batido, guardado, e sempre que olho para elas penso "vou colocar no blog" e nunca faço - até hoje.

São fotos diveeeersas, daquelas sem muito propósito; talvez com, pelo menos, um propósito: colocar no blog quando não se tem muito tempo, nem muito saco para postar algo mais relevante... Tô sentindo que tô avacalhando demais com esse meu post... É claro que ele é relevante. Enfim... Vou parar por aqui, e deixo convosco: as fotos.

 [chamo essa de: cidade sob relâmpagos - óóóó!]

[chamo de: luzes da cidade - acho que já ouvi esse em algum lugar.]

[gosto de: reflexo da cidade - é, gostei dessa palavra: cidade...]

[preso à alienação - dá pra ver que eu to com um controle na mão?]

[essa cês conhecem: o fantasma da basílica - sem julgamentos, por favor...]

[auto-retrato.]

[obra-prima; chamo de: meu olho esquerdo.]

[agora, sessão via-celular: a querida Marapanim da Carvalhada]

[a querida Marudá da Carvalhada - não me peçam traduções...]

[este é um cubo mágico - a obra mais árdua, para mim.]

[título: meus tempos áureos de estudo para o vestibular.]

[as duas faces de um desenho (tosco).]

Aos que ficam, meu grande abraço, pois eu já me vou. Té um tempo outro qualquer aí que venha por.

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Fragmentos de outrora e nota do agora

Posted by Odir Macêdo Neto on 23:03 in , , ,
Belém, 6 de fevereiro de 2010.

Mes amis, quanto tempo. Ficar tanto tempo assim longe do blog me fez ver o quanto que fiquei viciado nisso aqui. Na verdade, me fez ver o quanto que ele está fazendo parte da minha vida. É praticamente uma parte imprescindível para que eu viva - exageraaado. Mas é verdade, o blog, de alguns tempos pra cá, tornou-se peça de identificação. Aqui tenho praticamente tudo o que eu quero em uma página na internet e o blog possui exatamente o que eu quero que um blog tenha, meus textos - momento narcisista.

Falando em meus textos, vamos ao que interessa. O título, depois de construído, força-nos a seguir uma trilha pré-determinada. Fragmentos de outrora e nota de agora... Apesar de a ordem ser essa, vou começar de trás pra frente. Pela nota de agora:

Os momentos em minha vida tem se alterado drasticamente de umas semanas pra cá. Sabe o que é: eu passei no vestibula! Eu sei que já falei disso no discreto post anterior, mas agora é hora de botar pra quebrar com toda a minha euforia pela vitória alcançada. "Cês" não imaginam a sensação de conforto, alívio, de segurança e felicidade que tenho sentido e curtido desde o dia do resultado e, quero, espero sentir até o final do curso. Ainda tenho muito - "vixe" - muito chão pela frente. Tem até umas pedrinhas pelo caminho; já me anunciaram tremendos rochedos que brotam por aí; parece-me que vão haver alguns muros, tipo esse do vestibular - que, para não perder o costume, eu já pulei, já alcancei o topo e já cheguei ao outro lado. Mas até onde a vista me permite alcançar, não consigo prever buracos sem fundo ou precipícios que não possuam pontes para chegar aonde quero; ou seja, não vejo grandes impecílios que definitivamente me impeçam de concluir o que comecei, a não ser a morte - que eu não interpreto como malefício - ou a desistência, fruto da fraqueza, que só pode brotar de mim mesmo. Resumindo esse parágrafo imenso: estou muito feliz, extremamente grato a Deus pelo que consegui, consciente de que tem muita coisa para enfrentar e que tudo depende de mim, do meu compromisso, da minha responsabilidade, do meu esforço, da minha entrega a Deus, que é quem realmente provê a energia e a força para eu ser o meu sonho: ser médico.

Ainda tem muito para falar do "agora", mas agora não é a hora. Vamos esperar o "mais" que esse ano tem reservado... Por enquanto, vamos para outrora, ver os fragmentos daqueles tempos. Mexendo no baú das coisas velhas e inúteis que a gente guarda, amontoa e certo dia resolve mexer, jogar o que não presta, encontrar uns tesouros e deixar uma espécie de "forro" para receber as outras coisas velhas que aparecerão no futuro, encontrei uns textos antigos que retratam um pouco sobre a arte de escrever, como eu gosto de escrever, o que é "escrever" para mim, qual é o momento certo, como eu me sinto quando escrevo etc. Acho que já deu para deixar bem claro. Infelizmente, não coloquei o dia e o mês em que escrevi os dois textos que vou colocar aqui, mas consigo me lembrar dos anos. Dá pra ter uma noçãozinha. Vamos ao que interessa:

Sem título - 2008

Uau... Bateu-me a vontade de escrever... Ela nasceu no meu peito, atravessou minhas artérias, manifestou-se em meu coração, infectou meu organismo e se instaurou no meu cérebro. Fui impulsionado a pegar na caneta, tomar um pedaço de papel e impregnar com a tinta as fibras de celulose; se é que a celulose é fibra...; se é que a fibra é de celulose...

Geralmente, toda uma atmosfera se instaura no ambiente ao meu redor, um clima específico se faz presente e o tempo colaboram para que eu tenha inspiração e disposição em abundância para escrever. Mas de uns dias pra cá, sinto que tenho forçado a atmosfera, o clima e o tempo. Meio que dizendo para esses fatores...: "Apareçam!" Como se fosse uma ameaça... "Apareçam ou então lhes espanco!" Talvez seja a necessidade de mostrar, de expressar, de estravazar, de exorcisar, de escrever o que tenho guardado de ideias, pensamentos, sonhos e medos, mais forte que qualquer outra coisa e que de tão forte e poderosa tenha a capacidade de se adaptar a qualquer ambiente, sem depender da atmosfera, do clima ou do tempo.

***** 
Quero mais é escrever - 2009

desenho bom é assim: sem compromisso
escrever é bom quando é assim: sem compromisso
cantar é bom quando se canta assim: sem compromisso
compor é bom quando é feito assim: sem compromisso
pintar é bom quando: sem compromisso
porque já me bastam as neuras da vida
já me bastam as preocupações do mundo
já me bastam as perturbações da mente
para me deixarem preocupado, perturbado e neurado
para me mostrarem que tenho responsabilidades
que tenho compromissos
já me bastam as coisas sérias do meu emprego,
do meu trabalho, da minha família, do meu casamento,
dos meus filhos, da minha empresa, dos meus negócios,
da minha igreja, do meu ministério, do meu escritório,
do meu consultório, do meu gabinete, do meu parlamento,
da minha saúde, da minha alimentação
da minha conduta, do meu coração
se é para fazer bem feito, que seja assim: sem compromisso
mas se é para fazer bem, que seja assim: sem

*****

São só alguns fragmentos. Só pra constar: o último é o meu preferido - deve ser porque é mais recente, talvez. Até mais tempo... digo, até mais tarde... Na verdade, é impossível evitar repetições, então: até outro tempo. Abraços.

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Êta, tempo bom!

Posted by Odir Macêdo Neto on 23:13 in , , ,
Belém, 13 de janeiro de 2010.



Êta, TEMPO BOM esse que faz hoje! Saiu hoje o listão da UEPA e o resultado: o melhor possível. Agora, vamos ao curso de Medicina. Vamos ao que vier!

Grande abraço. E vamos aos tempos mais do que novos de 2010.

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Para um ano melhor...

Posted by Odir Macêdo Neto on 02:25 in ,
Macapá, 31 de dezembro de 2009.

Para um ano melhor...? Nada melhor do que um ato de entrega do nosso futuro, dos nossos planos, da nossa vida a Deus. Porque Dele, por Ele e para Ele são todas as coisas. A Ele a glória. 2010 nos aguarda e eu guardo no Senhor todas as minhas possíveis expectativas, todas as minhas esperanças; toda a minha confiança repouso sobre Ele. Abaixo a minha cabeça e agradeço por todos os dias que se passaram em 2009; por todos os tempos que passei, desde o comecinho do ano, até os últimos segundos - que estão por vir.

Estou aqui, na loucura dos estudos, mas dando agora uma pequena pausa para curtir o feriado de ano novo com a família e amigos em Macapá. E ainda esperando pelo resultado da UEPA. Fiz as provas em dezembro e por conta de toda essa loucura, tive que me ausentar do blog, da internet e de computadores, sem contar o fato de que estou sem computador - em Belém. Ainda temos a Federal, mas fica difícil se concentrar nela com tanta ansiedade, culpa desse resultado que não quer sair. Mas procuro me acalmar e focar o máximo de mim nos estudos para as provas da UFPA. Força em Deus e "vamo" seguindo.

Quero aproveitar e deixar aqui o meu agradecimento aos leitores de Alguns Tempos que através de diversas formas estiveram colaborando com o blog: seja comentando, seja dando só uma olhada discreta, seja falando comigo pessoalmente sobre os textos, imagens e assuntos discutidos e postados aqui. 2009 foi um ano bem interessante para o blog e para mim, claro. Um grande abraço e em 2010 "estamos aí pro que der e vier".

Finalizando... O último post revelou a faceta mais espiritual do blog. Esse é o objetivo de Alguns Tempos: falar de tudo, sobre qualquer coisa, seja qual for o tempo. Aproveitando o gancho desse post, deixo uma música que tem falado muito ao meu coração nesses dias de espera pelo resultado da UEPA e que, de uma certa forma, soa como uma canção para todo o ano de 2010. Que Deus reine. Amém.

Vem de Ti, Senhor - Diante do Trono

Não tenho palavras pra agradecer Tua bondade
Dia após dia me cercas com fidelidade
Nunca me deixes esquecer que tudo o que tenho
tudo o que sou, o que vier a ser
Vem de Ti, Senhor


Dependo de Ti, Preciso de Ti
Sozinho nada posso fazer
Descanso em Ti
Espero em ti
Sozinho nada posso fazer


Nunca me deixes esquecer que tudo o que tenho
tudo o que sou, o que vier a ser
Vem de Ti, Senhor


Tudo o que tenho, tudo o que sou
O que vier a ser entrego a Ti , Senhor


Nos vemos nos próximos TEMPOS de 2010! Feliz Ano Novo!

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Quando tudo parece contrário

Posted by Odir Macêdo Neto on 21:35 in
Belém, 18 de outubro de 2009.

Minha inspiração

Há algum tempo, eu venho fortalecendo em mim a vontade de postar alguma mensagem de esperança, de ânimo, de motivação, mas por vezes fui atacado pela falta de inspiração, pela ausência de um bom tema ou texto-base que me conduzisse a falar disso e pela vergonha de bancar um Augusto Cury ou qualquer outra coisa do tipo.

Eis que o dia chegou e as circunstâncias que tenho vivido nos últimos tempos me empurraram para frente do palco e não encontro escapatória, ou seja, estou aqui sentado, frente ao computador, digitando e percebendo que agora que comecei, não vou poder, nem conseguir, parar. O público já espera uma reação e eu não posso pagar um mico nessa hora. Porque mais vergonhoso que falar em público é ficar parado com cara de banana. Por isso, vamos lá.

Disse, algumas linhas atrás, que venho passando por algumas circunstâncias que me levaram a escrever cá no blog. (Não sei por que, mas esta palavra, circunstâncias, transmite algo de ruim, de difícil, de triste. Transmissões à parte...) Essas tais circunstâncias são delicadas: a tensão, a pressão, a emoção e o estresse causados pelo vestibular; mais precisamente pelo 2º vestibular.

Há quem diga que não é hora para o desespero. Afinal, eu, com pouca idade, apanhando do vestibular para um curso tão concorrido como medicina, pela segunda vez, é algo comum. Muitos já passaram por isso. Mas geralmente quem fala isso, nunca enfrentou isso de cara; só viu, o que não quer dizer nada. Mas, aproveitando os conselhos de quem só viu, penso: não é hora de se desesperar no meu caso, mas e aquelas pessoas que tentam pela terceira, pela quarta, pela quinta vez, beirando às tentativas do Pitanguy; o que dizer delas? O que pensar delas? Pena, dó, raiva, inspiração, emoção? No meu caso, são motivo de inspiração para a vida e para o post.

“Circunstâncias” delicadas todo mundo já passou. Muita gente já se encontrou em barcos que estão prestes a afundar. Outros que já até afundaram – estes estão aprendendo a nadar. Tem gente que não está num barco furado, mas já tem medo antes de ter motivo para tê-lo e se joga no mar – no rio, para nós, ribeirinhos. Seja qual for o barco, sejam quais forem as águas, o perigo de se afogar é grande e muitos se afogam, muitos desistem, muitos não resistem e acabam morrendo. É sobre esse perigo que vou falar. Precisamente sobre aqueles momentos em que tudo parece nos pressionar, nos apertar, nos sufocar. Quando tudo parece contrário e paramos de lutar.

“Peguem suas Bíblias, irmãos, no livro de...”

Em um desses cultos da vida, eu estava bem desanimado por conta de algumas dificuldades nos estudos, uma tristeza grande no meu coração por questões espirituais, fora as circunstâncias – lá vêm elas de novo – de se estar morando sozinho, longe dos pais, da família toda, dos amigos mais chegados, etc. E mais uma vez a pregação daquele domingo me pegou em cheio. Como dizem: um verdadeiro bálsamo para a minha vida.

O texto-base para esse post está em Números 13:25-33. Essa passagem da Bíblia conta um episódio dos tantos que são relatados no começo do Antigo Testamento sobre a fuga do Egito, liderada por Moisés, à Terra Prometida. Sabemos, como conhecimento cotidiano, que nesse verdadeiro êxodo o povo passou anos e anos caminhando pelo deserto até encontrarem a tal terra. Quando chegam estes lá, descobrem que essa mesma terra já está ocupada e isso, de uma certa forma, tira-lhes as esperanças.

Doze homens são, então, enviados para espiar a terra de Canaã, a fim de verem a terra, descobrirem quem era o povo que nela já habitava, se havia cidades, se era fortificada, quais eram as suas riquezas, os seus frutos, etc. Enfim, queriam que fizessem um verdadeiro relatório sobre aquilo que lhes aguardava. Foram os doze, e depois de quarenta dias retornaram com as notícias ao povo. Chegam a Moisés e dizem:

“Fomos à terra a que nos enviaste; e verdadeiramente, mana leite e mel, e este é o fruto. O povo, porém, que habita nessa terra é poderoso, e as cidades, fortes e mui grandes (...)”

No primeiro momento do comunicado, as notícias parecem ser boas. E o são. Através dessa verdadeira pesquisa de campo, vemos a confirmação de que a terra era abundantemente rica em todos os seus aspectos. Mas no segundo momento, percebemos a frustração. Fico imaginando a entonação daqueles homens falando isso: “O povo, porém...” Existe sempre esse “porém”. Vira e mexe ele aparece para desestimular todos os que estiverem por perto; porém, ele também aparece como uma ressalva, como uma salvação. Mas nesse caso, ele quer dizer o clássico porém de adversidade. Saber que na terra que lhes era prometida havia um povo forte e poderoso, que habitava em cidades grandes e fortificadas, os enfraqueceu de tremenda maneira.

Entretanto, um dos doze homens que tinham sido enviados, Calebe, toma a voz e diz:

“Eia! Subamos animosamente e possuamo-la em herança; porque, certamente, prevaleceremos contra ela.”

Deve haver quem diga que Calebe foi o animado da história. Sabe aquela pessoa que diz sempre frases de ânimo mesmo quando tem uma chuva de espinhos na sua cabeça, de uma forma bem serelepe, bem viva? Geralmente essas pessoas são destratadas: “Sai daí, seu doido!” Mais ou menos assim foi a reação do povo para com Calebe e seu otimismo exacerbado. Contra o otimismo, veio o pessimismo:

“Não poderemos subir contra aquele povo, porque é mais forte do que nós.”

“E infamaram a terra, que tinham espiado, perante os filhos de Israel, dizendo: A terra, pelo meio da qual passamos a espiar, é terra que consome os seus moradores; e todo o povo que vimos no meio dela são homens de grande estatura.”

A terra, antes exaltada como a Terra Prometida, Canaã, de onde manava leite e mel, prometida ao povo escolhido por Deus, agora recebia toda a carga de descrédito e desesperança. O povo, acuado pelas circunstâncias, começa a andar para trás, desistindo e desacreditando na verdade que tanto cultivavam no seu coração. O medo de ter que atravessar mais uma batalha – e quando eu digo batalha eu não digo, nesse caso, no sentido figurado – depois de enfrentar tantas dificuldades em meio ao deserto os desestimulou. Eu diria que a expressão para esse momento é o “morrer na praia”, porém com duas interpretações. A primeira é que depois de tanta coisa, iam acabar morrendo numa luta corporal, sem conseguir o que objetivavam. A segunda é que depois de tanta coisa, iam acabar desistindo de lutar por aquilo que queriam na reta final da saga. (Sendo que uma interpretação é mais honrosa que a outra, mais deixemos questões de honra para outro post.)

Como já disse, o povo se sentiu acuado pelas – famosas – circunstâncias, forçado a se sentir pequeno em meio a tudo isso.

“(...) e éramos aos nossos olhos como gafanhotos e assim também éramos aos seus olhos”

A sensação de que a derrota é certa e que não há mais nada a se fazer é um sinal indicando que o afogamento está próximo; que precisamos de ajuda.

Contextualizando...

A Bíblia é cheia de histórias, de fatos, de acontecimentos do passado, mas que através de interpretações mais profundas podemos trazê-las à nossa realidade, contextualizar com a história da nossa vida, da nossa família, da nossa igreja, da nossa cidade, do nosso país. É por isso que algumas passagens bíblicas acabam sendo tão admiradas por nós: porque há essa identificação. Ou você nunca se sentiu sensibilizado, por exemplo, com alguma pessoa, algum filme, ou coisa parecida, contando algo que lhe é muito familiar, que você já viveu ou vive?

Aproveitando essa capacidade de relacionar histórias, eu coletei itens de Números 13:25-33 e de outras passagens e as listei para o post.

- A Luta: o povo escolhido por Deus enfrenta muitos desafios até alcançar o seu objetivo.

Nós também passamos por momentos difíceis antes de alcançarmos aquilo que queremos. Estudando para o vestibular e levando como exemplo a vida de amigos que já alcançaram o seu sonho, percebo que a dedicação, o esforço, o cansaço e a persistência nos acompanham em nossa caminhada antes de nos deleitarmos em tranquilidade.

- O Grande Empecilho: o povo escolhido por Deus, chegando “às portas” da Terra Prometida, depois de fazerem o “relatório” das características do lugar, sentem-se desencorajados em continuar lutando, por medo de serem derrotados, por medo de não conseguirem, por medo de tentar...

Nós também somos assim em algumas situações; é uma característica puramente humana, mas não quer dizer que é uma boa. Imagine-se no meu lugar e no lugar de muitos jovens desse país: depois de passar um ano inteiro estudando e se preparando para o vestibular, tendo batalhado contra o cansaço, a preguiça, (no meu e em outros casos a saudade da família), sacrificando nossos momentos de descanso, descontração, diversão, lazer e a nossa própria vontade, ainda temos que extrair forças sobrenaturais para enfrentar o desafio final, ou melhor, o verdadeiro. É chegado o dia do vestibular e junto com eles uma carga de pressão, nervosismo e estresse. Quem não se prepara para suportar isso pode pensar em parar a luta nesse exato momento. Admito que já senti a vontade de, na hora da prova, largar tudo e ir me embora para bem longe. Isso nos cansa, mas Deus sempre tem me dado energias; mas cansa.

- A Pequena Chama e o Balde de Água Fria: Calebe foi o empenhado servo de Deus que não deixou de confiar Nele, mesmo quando viu a ameaça de derrota face a face. Ele foi a chama de vida e de esperança, mas o povo com suas murmurações tratou logo de apagá-la.

Nós também temos sempre aquela chama de esperança no nosso coração. Tem gente que consegue viver com essa chaminha por um longo tempo, protegendo-a e sempre fugindo da chuva, para evitar que ela se apague. Mas viver assim não é bom; viver assim é viver perigosamente. Precisamos de quem possa jogar lenha na fogueira, ou seja, de quem nos incentive a não cair. Agradeça a Deus se você tem alguém assim. Porque quem não tem se vira para sustentar-se a si mesmo e isso é desgastante. Ainda mais com pessoas que nos influenciam a abandonar o ringue. Pessoas com palavras de desânimo, de desesperança, nos colocando para baixo ao invés de nos levantar são os tais baldes de água fria. A preocupação e o cuidado, até o amor, podem ser expressos pela severidade, pela bronca – aquela que a gente toma dos pais, por exemplo –, mas quando vem para machucar, aí não faz outra coisa que machucar.

- A Ameaça Gigante: O povo de Israel pareceu receber um forte combustível para murmurar depois de receber o relatório da Terra. Diziam eles: “Também vimos ali gigantes” (os filhos de Anaque, que habitavam a terra, eram descendentes de gigantes). Saber da presença de gigantes, de uma grande ameaça, repercutia num sentimento de grande temor; quanto maior a ameaça, maior seria a luta que eles teriam de travar. Isso os desencorajava ainda mais.

Dentre os empecilhos que apareceram diante do povo de Deus, um deles me chamou muita a atenção porque possui uma grande aplicabilidade ao assunto “vestibular”. Os tais gigantes que teriam de enfrentar; um problema gigante, verdadeiramente. Muitas vezes nos deparamos com problemas dessa estatura. E dependendo do desespero, eles podem aumentar ainda mais de tamanho. O vestibular para muita gente é um verdadeiro bicho-papão, um monstro gigante, que está à nossa espera para nos destruir, nos massacrar. Talvez nem seja tão terrível assim, mas a atmosfera que ronda muitos dos vestibulandos acaba enfeando a cara da prova e assustando mais do que devia. Quanto maior a ameaça, maior a luta a ser travada. Isso desencoraja muita gente...

Agora que já temos estabelecidos as semelhanças do texto bíblico com a nossa vida (não vou dizer só a do vestibulando porque as lutas que passamos não se reduzem somente ao vestibular...), é hora de tomar posse daquilo que Deus tem para cada um de nós.

Tomando posse!

As experiências que tive com o vestibular são bem minúsculas perto das de algumas pessoas que já passaram por muita, muita coisa. Mas uma coisa que aprendi bastante durante este ano é o de que devemos prevalecer. Que devemos tomar coragem e prevalecer, diante das adversidades.

Calebe, como já vimos, no seu discurso, usou a palavra “prevaleceremos”. Prevalecer significa ser capaz, ter poder, ter a capacidade de vencer ou ser bem-sucedido. Calebe disse aquelas palavras com convicção e no meio de gente incrédula que só sabia reclamar. Mas a convicção que ele possuía não vinha de uma mera prática do pensamento positivo. Ele cria na promessa que Deus tinha para vida dele e de seu povo, e não abandonou a sua fé, não abandonou o seu Deus, diante das adversidades.

O povo, inconformado com a situação, atribulado pelo medo, ira-se contra os seus atuais líderes, Moisés e Arão, buscando eleger um outro líder – sendo que Moisés e Arão eram os que haviam sido verdadeiramente ungidos por Deus para guiar aquela gente. Calebe e Josué – outro homem que permanecia crente na promessa do Senhor e que havia também sido escolhido para espiar a terra – de coração entristecido, disseram a toda a congregação dos filhos de Israel:

“A terra pelo meio da qual passamos a espiar é terra muito boa. Se o Senhor se agradar de nós, então, nos fará entrar nessa terra e no-la dará, terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o Senhor e não temais o povo dessa terra, porquanto, como pão, os podemos devorar; retirou-se deles o seu amparo; o Senhor é conosco; não temais.”

Duas coisas eles pontuaram nesse outro discurso: a de que era real a promessa de Deus para com eles, que Deus havia de pô-los para dentro da terra, se O obedecessem; a outra é a exortação ao “não temer”.

Na Bíblia, 366 vezes, é repetida a expressão “Não temas”. Interessante, porque isso nos faz concluir que temos uma para cada dia do ano e uma a mais para os anos bissextos. Deus é tão tremendo, tão poderoso, tão longânime, cria planos e propósitos tremendos para a vida de cada um de nós e nos dá a certeza de que a execução de tais planos está sob o controle e o comando Dele, mas ainda assim temos a insegurança, temos o medo, a sensação de perigo, naturais do ser humano. No entanto, para mostrar o quão perfeito Ele o é, Deus ainda nos diz, a todos os momentos, a todos os dias para não temermos, porque Ele é conosco.

Calebe não abandonou a sua fé, prevaleceu diante das adversidades, permaneceu firme, não temendo mal algum, por maiores que fossem as circunstâncias – sim, elas de novo. Se prosseguirmos a leitura de Números, veremos uma passagem muito bonita, que ratifica os resultados de se ser fiel e confiante em Deus.

“Tornou-lhe o Senhor: (...) nenhum dos homens, que tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz no Egito e no deserto, todavia, me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz, nenhum deles verá a terra que, com juramento, prometi a seus pais, sim, nenhum daqueles que me desprezaram a verá. Porém o meu servo Calebe, visto que nele houve outro espírito, e perseverou em seguir-me, eu o farei entrar a terra que espiou, e a sua descendência a possuirá.”

Mesmo tendo visto as coisas maravilhosas que Deus havia feito, o grande mover que Ele realizou para trazer toda aquela gente para a terra que Ele havia prometido, com juramento, muitos teimaram em não crer que iriam chegar a Terra Prometida.

Algumas vezes fazemos isso: não conseguimos crer nas promessas de Deus para as nossas vidas, mesmo sendo testemunhas das outras coisas que Ele já fez por cada um de nós. O ano inteiro se passou e muita coisa aconteceu, e Deus se mostrou presente em muitos momentos, senão todos! Deus opera nas pequenas coisas, aquelas que não conseguimos perceber, até nos grandes acontecimentos. Precisamos ser gratos a Ele por isso. Deus tem sido fiel. Muitas vezes até recebemos coisas de Deus que nem acreditamos sermos merecedores, mas o Seu amor, a Sua graça e a Sua misericórdia vão além daquilo que possamos imaginar.

Prosseguindo, Calebe, como já disse, permaneceu firme. Prevaleceu. E Deus o recompensou por isso. Os que creram nas promessas de Deus e não ficaram focando os problemas, saboreando os momentos de angústia e temor; os que olharam para frente, não temendo, mesmo que lá dentro algo dissesse “não vai dar”; os que lutaram contra esses pequenos murmúrios naturais do ser humano e foram seguindo a trilha; os que tiraram a água que entrava de vez em quando no barco, e procuraram manter o equilíbrio nas tempestades; os que prevaleceram lutando sempre, mesmo quando tudo parecia contrário, esses, Deus recompensou.

Seja no vestibular, seja num problema familiar, num problema de saúde, num problema na universidade, num problema conjugal, num problema no seu relacionamento com Deus, uma máxima é certa: não temas. Prevaleça. Não se deixe perder para o medo, para o nervosismo, para a incredulidade deste mundo. Não permita que outras pessoas venham jogar uma água fria na chama do seu sonho. Agarre-se na promessa de vitória que Deus tem para você.

E que no futuro possamos, todos juntos, olhar para trás e ver o que Deus já fez por nós e dizer para nós mesmos que “Deus me fez passar por caminhos tortuosos, nunca me abandonando, me ensinando, cuidando de mim, me mostrando os passos que devia dar, aplicando freios quando corria demais, e me fez por fim alcançar o meu objetivo”, tal como os filhos de Israel fizeram mais tarde, depois de alcançarem a Terra Prometida. Isso, eu desejo a mim e a todos nós que passamos por momentos de luta e que acreditamos na recompensa vindoura:

“Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o Senhor, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos. Ele te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conhecias, nem teus pais o conheciam, para te dar a entender que não só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor viverá o homem. Nunca envelheceu a tua veste sobre ti, nem se inchou o teu pé nestes quarenta anos. Sabe, pois, no teu coração, que, como um homem disciplina o seu filho, assim te disciplina o Senhor, teu Deus. Guarda os mandamentos do Senhor, teu Deus, para andares nos seus caminhos e o temeres; porque o Senhor, teu Deus, te faz entrar numa boa terra, terra de ribeiros de águas, de fontes, de mananciais profundos, que saem dos vales e das montanhas; terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e mel; terra em que comerás o pão sem escassez, e nada te faltará nela; terra cujas pedras são ferro e de cujos montes cavarás o cobre. Comerás, e te fartarás, e louvarás o Senhor, teu Deus, pela boa terra que te deu.”

Deuteronômio 8:2-10.

Fiquem na paz e não temas.

Odir Macêdo Neto.


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Dando uma de fotógrafo...

Posted by Odir Macêdo Neto on 22:26 in , ,
Belém, 11 de outubro de 2009.

Aos leitores: Oi.

Bem..., foram muitas coisas acontecendo, e tudo em menos de uma semana. Semana conturbada, cheia de coisa para fazer e com os dias carregados com os preparos para o Círio que ocorreu neste domingo. Em Belém, impossível não ser atingido pela festa católica, sendo católico, sendo evangélico, espírita, judeu, ateu, testemunha de Jeová, satanista, hinduísta, marxista, ou feminista... A cidade inteira se move nos conformes de uma das maiores procissões católicas do mundo.

Eu, estressado e nervoso com os estudos, às vésperas das provas do vestibular, engoli doses amargas e quentes do engarrafamento, do "vuco-vuco" nas calçadas, da fila quilométrica do banco, do supermercado, do caixa da farmácia, da lanchonete do cursinho, da barraquinha do tio da esquina, do banheiro público de um só mictório... Que desgraça. Mas a gente releva, a gente respira fundo e pensa: "Semana que vem é uma outra semana". Mesmo quem é católico se incomoda com o inchaço da cidade, mas se empolga com a movimentação. E eu vou admitir... é interessante e empolgante mesmo...

Por isso, lendo esses jornais da vida, encontrei um artigo bem interessante, falando da impressão que outras religiões têm do Círio de Nazaré e, o melhor, grifando a palavra respeito e tolerância nas entrelinhas do texto de autoria de Anderson Luís Araújo. Como um bom "Ctrl+C'vista", não resisti deixá-lo ali, a mercê da folha impressa, e trouxe-o ao blog:

Evangélico faz exercício de tolerância
Diferença - Adeptos de outras religiões respeitam o Círio e participam de confraternização

Eles não participam do Círio de Nossa Senhora de Nazaré, mas acabam tendo contato com a maior das festas católicas do mundo. A firmeza nos princípios que diferenciam as crenças deixa os evangélicos fora das homenagens à padroeira dos paraenses. Mas a tolerância e a tradição católica arraigada na história do Estado fazem com que os adeptos do protestantismo respeitem e compreendam a fé dedicada à santinha.

A estudante de Medicina Suelen da Silva Andrade, 25 anos, passou grande parte da sua vida em um mundo completamente católico, tendo inclusive feito a primeira eucaristia. Porém, desde 2001 optou por frequentar e seguir a Igreja Batista Missionária da Amazônia, de orientação evangélica. Ela conta que na época do catolicismo pouco participava das celebrações de sua antiga religião e também não entendia muito bem a devoção a Nossa Senhora de Nazaré. "Para mim, sempre foi difícil entender. Eu não acreditava muito nessa forma de louvar, apesar de respeitar", conta.

A percepção foi decisiva para que ela mudasse de religião. Hoje, Suelen acaba sendo envolvida pelos festejos do Círio, porque sua família ainda é, em grande parte, católica, mas preserva sua crença. "Sou evangélica e participo do almoço do Círio, na casa de um parente que fica no trajeto da procissão. Mas não é por isso que vou mudar minhas convicções ou mesmo desrespeitar quem pensa diferente de mim", comenta a futura médica.

"Não dá para ser chato como as pessoas que se isolam. É preciso saber dividir as coisas. Até porque quando estou no almoço, confraternizando, não estou indo ao Círio, mas sim para ficar com a minha família", acrescenta. Suelen diz que ao estudar a Bíblia Sagrada começou a firmar seus princípios sobre não adorar imagens, o que lhe afasta da romaria dedicada à Mãe de Jesus. "Acho que a fé, sim, é capaz de operar milagres", pondera.

A evangélica ressalta ainda o lado cultural do Círio de Nazaré. "É interessante. É uma festa que consegue unir mais as pessoas. Muita gente que está longe volta só para o Círio. É bonito. Não é porque minha crença é diferente que eu não vou tolerar ou vou discriminar os outros", assinala.

Significado

A estudante de Administração Thuanne Rodrigues da Silva, 19 anos, também frequenta a Igreja Batista. E compreende o significado do Círio, por ter sido católica, antes de adotar a nova religião, há cerca de cinco anos. Ela explica que, no dia da procissão, o festejo é encarado como um feriado normal, uma data em que as pessoas estão livres para celebrar, visitar amigos e parentes. Porém, religiosidade é outra história.

Embora seja tolerante, Thuanne também menciona a questão da adoração à imagens, que sua religião não permite e acrescenta também outro ponto fundamental na diferença entre o credo católico e o evangélico: a polêmica sobre crer ou não em Maria, mãe de Jesus, como entidade divina. "Deus não divide a glória dele com ninguém. Aprendemos e acreditamos assim."

Liberdade

O pastor e deputado estadual Martinho Carmona fala das diferenças, também, mas deixa claro que "a liberdade religiosa é um direito garantido por lei a todos". "Cada um tem o direito de cultuar a sua crença, segundo a sua fé", assinala. Ele acrescenta ainda que o "paraense é cristão e tem no Círio seu momento mais importante. Nós respeitamos. Igual como os paraenses respeitam quando fazemos a marcha para Jesus. É uma questão de tolerância e respeito ao próximo, aos nossos irmãos", comenta.

(Anderson Luís Araújo, in O LIBERAL, 11 de outubro de 2009.)

Bom texto. Esclarece muita coisa, limpa outras, remonta algumas e derruba certas.

Agora, com relação à semana que passou... Deixando de lado o fato de você ter que ficar mais em casa do que na rua, primeiro porque você tem que estudar, segundo porque você prefere a quietude do lar a ter que enfrentar a confusão urbana, pude colher bons frutos do Círio deste ano. Apesar do arrependimento me bater quando penso que poderia ter sido voluntário da Cruz Vermelha mais uma vez, vejo o que fiz e penso e concluo: bom.

Quis sair um pouco da mesmice e tentar algo de novo. Na verdade, um desejo embutido em mim e que estava só esperando o momento certo para ser expressado. O momento, ou melhor, o tempo chegou e foi hoje, domingo, dia do Círio. Com uma câmera digital doméstica de 10.0 mega pixels, saí pelo meio da multidão, costurando entre os romeiros, clicando tudo o que via pela frente. Desde os pés descalços dos pagadores de promessa, passando pelos corajosos da corda, viajando com a chuva de papel picado, chegando às demonstrações de fé diante da berlinda. Como já disse, o resultado disso foi bom.

Gostaria de pontuar que não concordo com certas práticas católicas que, à luz da Bíblia, não são consideradas cristãs, mas como venho de uma família católica, tenho contato com pessoas de diversos tipos de religião e crença, aprendi a respeitar e admirar algumas demonstrações de fé. O Círio é uma delas. Não assimilo o culto à imagem de Maria, mas passando três anos em Belém e participando de diversas formas da grande procissão católica, pude ver emocionantes expressões da religiosidade e cultura paraenses. É de encher os olhos, embora entristeça o coração de boa parte de nós, cristãos-protestantes.

Bem... "vaaaaamo" parando por aqui com esses papos e vamos ao que interessa. Deixo aqui algumas das fotos que tirei durante a procissão:

Para ver mais fotos, acesse o meu álbum do Flickr, através do link Photos na barra superior desta página. A vontade que dá é colocar todas aqui no post, mas o tamanho dele já tá passando da medida. Ainda bem...

A todos uma ótima semana, ótimos tempos para cada um e até outro relato de mais outro tempo.

Abraços.